Em cães e gatos, neonato é considerado um filhote desde o dia do nascimento até completar 15 dias de idade. O nascimento de neonatos vivos e viáveis está intimamente relacionado a fatores como a escolha de reprodutores saudáveis, antes do cruzamento desejado, cuidados com a fêmea durante a gestação, acompanhamento correto no momento do parto e observação clínica dos filhotes imediatamente após o parto e durante o período de amamentação.

Uma vez atingindo a idade gestacional adequada, o filhote já deve estar totalmente formado e pronto para ser liberado ao meio exterior, no momento do parto. Deve-se preparar o local onde os neonatos vão ficar antes mesmo da data provável do parto. O ambiente deve ser seguro, tranquilo, com temperatura ideal e que dê conforto tanto para a mãe como para os filhotes. Pode-se ter uma caixa maternidade para este fim. 

O acompanhamento do parto é de suma importância para que os neonatos não sofram injúrias e consigam nascer bem. 

Imediatamente após o nascimento eles devem ser massageados na região torácica para estimular a respiração e circulação, o que pode ser feito friccionando esta região, em sentido contrário ao pelo, com o auxílio de toalhas secas. Esta manobra também secará o neonato dos líquidos dos anexos placentários ainda existentes. 

Deve-se verificar a presença de líquido nas cavidades oral e nasal e aspirar. Caso exista um neonato com dificuldade em respirar, ele deve ser levado o mais breve a clínica veterinária para retirada deste líquido bem como para uma oxigenioterapia. Após este procedimento, deve-se observar caso algum deles tenha defeitos ou alterações anatômicas visíveis. Agora eles estão prontos para o início do contato com a mãe e a primeira mamada. 

O neonato deve ser colocado ao lado da mãe e conduzido ao teto para mamar. Observar sempre o comportamento da mãe em aceitar e cuidar dos neonatos ou não.

Caso a mãe não possa alimentar o filhote, seja por rejeição, falta de leite ou outra causa, eles devem ser aleitados artificialmente e mantidos em temperatura ideal. Para tal, a utilização de ambientes aquecidos e colchões térmicos são recomendáveis. Cuidado para não queimá-los.

Filhotes que choram e se isolam dos outros devem ser observados. Nesses casos eles podem estar com uma alimentação inadequada, com hipotermia ou com uma alteração sistêmica. Estes três fatores são os maiores responsáveis pela mortalidade neonatal em cãezinhos. Caso ocorra, procure auxílio de um veterinário.

É importante verificar se a mãe promove, com lambeduras na região perianal e genital, após a mamada, a estimulação para que o neonato urine e defeque. Caso isto não ocorra, deve-se estimulá-los passando nesta região um algodão umedecido com água morna. 

A presença de sintomas como diarreia, desidratação, secreção ocular e ou nasal devem ser imediatamente comunicadas ao veterinário, pois os neonatos são muito susceptíveis a infecções virais, como herpevírus, bacterianas, na maioria dos casos por E. coli e parasitoses. 

O herpevírus é adquirido durante a gestação, proveniente de uma mãe infectada. As infecções bacterianas são provenientes pelo leite ou contaminação do meio ambiente que eles vivem. As parasitoses podem ser adquiridas ainda em período fetal ou após o nascimento. As más formações congênitas ou hereditárias devem ser criteriosamente analisadas no que tange à viabilidade futura de vida do neonato. 

Ao final deste período de quinze dias, os filhotes devem estar espertos, se movimentando, com os olhos abertos e crescendo dentro dos padrões normais. 

Além do auxílio clínico do médico veterinário para orientar, diagnosticar e tratar alterações dos neonatos, é primordial que exista uma pessoa experiente, observadora e paciente para cuidar dos neonatos. Muitas ninhadas são perdidas por manejo inadequado dos filhotes.

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